O poder do conhecimento coletivo no combate às fraudes
Hoje, o combate a fraudes depende de pessoas, conhecimento e experiência. Compartilhar é fundamental para aumentar a nossa capacidade de prevenção.
Que fique claro: sem uma boa ferramenta de apoio, é impossível estar protegido. Mas, sem as pessoas, a experiência e a capacidade analítica para interpretar dados, alertas e casos, a tecnologia se torna como um carro sem motorista — simplesmente não anda.
Nas visitas e palestras que tenho feito, aprendo muito. A cada reunião, vejo novos exemplos e tipologias de fraude surgirem. Cada profissional com quem converso é uma nova fonte de conhecimento, um ativo valioso que, por várias razões, muitas vezes permanece isolado e não é partilhado com o mercado.
Poder coletar todas essas experiências, transformá-las rapidamente em melhorias nos processos de prevenção e compartilhar essa inteligência com várias organizações é a forma mais rápida de desmotivar um fraudador.
O paradoxo do custo e o modus operandi dos criminosos
Individualmente, o investimento de cada organização em soluções, equipes e infraestrutura torna o processo pesado e custoso. Em muitos casos, o custo da proteção é tão alto que o risco de sofrer uma fraude acaba parecendo, financeiramente, uma “decisão que compensa”. Por outro lado, mesmo realizando altos investimentos, o conhecimento continua sendo o fator crítico para o sucesso.
Pensemos em um banco implementando defesas para o seu internet banking: não seria muito mais eficiente e rápido absorver o conhecimento que já existe e circula no mercado?
Costumo brincar que a vida do fraudador é bem confortável. Ele decide o que vai fazer tomando um chopp no boteco, desenvolve a fraude, implementa e, se não funcionar, volta para a mesa de bar para pensar em outra — tudo isso sem nenhuma pressão corporativa.
Enquanto isso, o que aprendo interagindo com vários clientes é que os fraudadores operam em redes altamente sofisticadas e colaborativas. Eles se unem para garantir o sucesso dos golpes. Se eles trabalham em equipe, por que nós deveríamos agir isolados?
A inteligência compartilhada como diferencial competitivo
Ter um time experiente que atua em múltiplos clientes — indo muito além do suporte a uma ferramenta, trazendo uma visão ampla de mercado e dos desafios enfrentados — faz toda a diferença. É esse suporte estratégico, que orienta o “como fazer” e o “o que fazer”, que protege o negócio.
Programar rapidamente regras de prevenção para grupos de clientes com base em uma nova fraude recém-identificada reduz drasticamente as perdas. Manter uma equipe desse nível exclusivamente interna custa caro. Mais uma vez: compartilhar é a solução.
Hoje já utilizamos modelos neurais de prevenção compartilhados. Então, por que não compartilharmos regras de prevenção, atributos comprometidos e inteligência de mercado? Por que ainda relutamos em compartilhar o conhecimento?
Especialmente para instituições de médio e pequeno porte, que contam com recursos limitados, a prevenção costuma ser um fardo exaustivo para as equipes.
Compartilhar conhecimento e experiência é o caminho natural para reduzir custos de investimento, elevar o nível de proteção e nivelar o jogo contra os fraudadores. Afinal, estamos falando de pessoas conectadas protegendo o ecossistema.

